12/09/2026
Marco Silva foi o grande reforço do Benf**a para a presente temporada. É um grande treinador e a sua influência não tardou em fazer-se notar. Primeiro, na construção do plantel. Depois, na qualidade do futebol que a equipa hoje pratica, a qual já não víamos desde a primeira temporada de Roger Schmidt na Luz.
O panorama na pré-temporada não era nada animador. As indefinições sobre o plantel eram imensas. A novela acerca da substituição do treinador foi desgastante. As três pré-eliminatórias da Liga Europa não vinham em boa altura. Tudo parecia indiciar um início de época bem acidentado para o Benf**a.
Mas chegou Marco Silva e com ele a liderança e a capacidade de planeamento que faltava. O plantel do Benf**a acabou por f**ar muito bem montado com 26 jogadores (excluí José Neto por me parecer que praticamente não terá utilização) e bem equilibrado por posições. E não tenhamos dúvidas que várias decisões foram impostas pelo treinador.
Em Junho, projectei aqui um esboço do plantel (ver imagem nos comentários), com todas as incertezas que havia e defendendo algumas decisões que me pareciam razoáveis. Muito do que projectei acabou por não se confirmar, o que foi positivo sem dúvida em algumas situações, noutras nem tanto.
As ideias fundamentais desse post foram as seguintes:
1. Manter Trubin e Samuel Soares e apostar num jovem da formação para terceiro guarda-redes. De referir que Trubin não me convence. Apenas acho que havia outras prioridades para o reforço do plantel.
2. Manter o melhor lateral Dedic e também Banjaqui. Tentar negociar Bah pelo melhor valor possível.
3. Contratar um central líder para ser titular e outro para o plantel. Tentar renovar com António Silva. Negociar Tomás Araújo por ser quem permitiria um maior encaixe financeiro. Promover Gonçalo Oliveira à equipa pruncipal.
4. Contratar um 6 a sério. Analisar a situação de Barrenechea. Manter Aursnes, Barreiro e Sudakov. Negociar Rios pela melhor quantia possível. Despachar Manu Silva. Emprestar João Veloso e João Rego.
5. Negociar Schjelderup (apesar de em condições normais defender a sua permanência) pois iria entrar no último ano de contrato e se recusava a renovar. Aqui, cometi um erro, já que o contrato de Schjelderup só expira em 2028 e não em 2027 como eu pensava.
6. Contratar dois, talvez três extremos. Negociar Lukebakio. Manter Prestianni. Despachar Bruma.
7. Senti que Pavlidis tinha atingido o fim da linha no Benf**a e considerei que a sua venda por 30/35 M€ seria uma boa decisão.
8. Contratar um avançado para ser titular. Manter Ivanovic. Manter a aposta em Anísio Cabral. Despachar Henrique Araújo.
Isto foi o que projectei, tendo em conta o contexto, as necessidades de contratações e vendas, o rendimento dos jogadores em 2025-26, etc. O que acabou por acontecer foi bastante diferente nalgumas questões, noutras acabou por se confirmar, o que acaba por ser normal quando há tanta indefinição e dúvida. Vejamos:
1. Trubin e Samuel Soares mantiveram-se. O tal jovem da formação Gonçalo Ferreira é o terceiro guarda-redes. Entretanto, Samuel Soares relegou Trubin para o banco de suplentes, cuja saída é uma questão de tempo. Não é possível ter um guarda-redes tão bem pago no banco.
2. Dedic acabou por sair para o Newcastle num excelente negócio total de 35,9 M€. Desportivamente, seria melhor manter Dedic em vez de Bah. Mas o negócio foi magnífico. Nada a dizer. Banjaqui mantém-se.
3. Lenglet foi contratado para ser titular, embora não pareça um líder nato. Circati chegou para preencher a vaga de António Silva, que foi vendido ao Bournemouth por 25 M€ + 5 M€ em variáveis. Foi o negócio possível por um jogador que iria entrar no último ano de contrato e que se recusou a aceitar a proposta de renovação do clube. Nada a dizer. Com a venda de António Silva, obviamente a permanência de Tomás Araújo tornou-se natural, o qual entretanto renovou o seu contrato, numa boa medida do Benf**a. Gonçalo Oliveira foi vendido ao Rennes ao desbarato e Gabriel Índio mantém-se no plantel. O futuro dirá se foi uma decisão acertada.
4. Palhinha foi contratado para a posição 6. Barrenechea acabou por f**ar e a verdade é que o seu rendimento estava a ser muito bom até à chegada de Palhinha. Aursnes, Barreiro e Sudakov f**aram no clube naturalmente. Rios foi despachado por empréstimo, numa boa medida desportiva, mas péssima medida financeira. Mas o que haveria a fazer se nenhum clube se mostrou disposto a pagar um valor aceitável pela compra defintiva do médio colombiano? Foi uma opção de recurso. Manu Silva mantém-se para já. João Veloso e João Rego foram emprestados, como eu sugeri.
5. Uma vez que Schjelderup só termina contrato em 2028, a sua permanência foi acertadíssima, numa medida com intervenção clara de Marco Silva, pelo que fui lendo. Mas a sua renovação continua a ser urgente. Caso contrário a sua saída no final da temporada torna-se inevitável, pensando na vertente financeira.
6. Apenas Kaminski foi contratado para as alas, já que Schjelderup e Lukebakio não saíram. Lukebakio manteve-se no clube, por indicação expressa de Marco Silva. Prestianni ficou obviamente. Bruma foi dispensado.
7. Pavlidis acabou por f**ar, apesar de ter mercado, respeitando a vontade de Marco Silva em contar com o jogador. Foi uma excelente decisão, tem sido um dos melhores jogadores da equipa até agora. Defendi a venda de Pavlidis, não por não o achar um grande jogador, mas porque parecia ter atingido o fim de ciclo. Enganei-me.
8. Durán foi contratado, mas não para titular, já que Pavlidis não saiu e é o dono do lugar. Ivanovic acabou por ser emprestado ao Lens por 2,5 M€ fixos + 0,5 M€ em variáveis, sem qualquer opção de compra obrigatória. Não foi um bom negócio para quem tinha pago 22,8 M€ fixos por ele há um ano. É rezar para que possa ter rendimento e não se desvalorize no mercado. Anísio f**a como terceira opção. Henrique Araújo saiu para o Casa Pia.
O sistema utilizado tem sido um 4-3-3 com um 6 e dois interiores e não um 4-2-3-1 como era esperado. Gosto do 4-3-3 e acho que dá ao Benf**a uma projecção ofensiva muito interessante.
Coloquei Prestianni no meio, pois foi assim que Marco Silva o utilizou no último jogo, apostando em Schjelderup para a esquerda e Rafa a partir da direita, relegando Sudakov para o banco. Schjelderup não sai mais da equipa, estou em crer, pelo que o onze parece-me plausível assim como está na foto. Mas nada é definitivo.
Schjelderup, Prestianni e Rafa é o trio que faz sentido, com Aursnes a actuar como um interior mais equilibrador, mas vejo que, entre os três, possam trocar de posições. Rafa pode jogar também no meio, como na época passada. Prestianni também pode jogar pela direita, como também mostrou em 2025-26. E dada a sua criatividade e talento, não vejo porque Schjelderup também não possa actuar no corredor central. Portanto, as combinações que se podem fazer entre Schjelderup, Prestianni e Rafa e esquerda, centro e direita, são diversas.
O Benf**a contratou ainda El Karouani (o tal que se cogitou para o FC Porto na época passada) para competir com Dahl na lateral esquerda e o jovem criativo Echeverri numa lógica de futuro e talvez já a tentar precaver a falta de rendimento de Sudakov.
Apesar do panorama de extrema indefinição na pré-época, a chegada de Marco Silva trouxe ao Benf**a a clareza que faltava tendo em vista a construção de um plantel forte e homogéneo. Tiro-lhe o meu chapéu na forma como evitou que Rui Costa continuasse a fazer disparates. Acabou por ser muito melhor do que eu pensava e o Benf**a tem plantel mais que suficiente para lutar com FC Porto e Sporting pelo título nacional.
Acho, todavia, que do ponto de vista financeiro se estão a correr bastantes riscos. O clube investiu de forma pesada na temporada passada e nesta o investimento voltou a ser elevado, sem ter havido uma correspondência assim tão signif**ativa nas vendas. Mas nesse aspecto é Rui Costa quem terá de fazer as contas e salvaguardar a sustentabilidade financeira do clube. Veremos no futuro se os tais riscos estão a ser corridos de forma calculada.