27/07/2026
😍 20 Edição
A MAIS BELA CORRIDA DO MUNDO
𝐕𝐈𝐍𝐓𝐄 𝐀𝐍𝐎𝐒 𝐀 𝐂𝐎𝐑𝐑𝐄𝐑 𝐀𝐓𝐑𝐀́𝐒 𝐃𝐄 𝐔𝐌 𝐒𝐎𝐍𝐇𝐎 𝐂𝐇𝐀𝐌𝐀𝐃𝐎 𝐃𝐎𝐔𝐑𝐎
20. VINTE.
𝐌𝐞𝐢𝐚 𝐌𝐚𝐫𝐚𝐭𝐨𝐧𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐨𝐮𝐫𝐨 𝐕𝐢𝐧𝐡𝐚𝐭𝐞𝐢𝐫𝐨
𝐴 𝑀𝐴𝐼𝑆 𝐵𝐸𝐿𝐴 𝐶𝑂𝑅𝑅𝐼𝐷𝐴 𝐷𝑂 𝑀𝑈𝑁𝐷𝑂
Há vinte anos, Douro, eu não sabia que um logotipo dourado me haveria de fazer chorar assim, sozinho, a meio do dia, diante de um ecrã, como um homem que descobre de repente que envelheceu sem se aperceber.
Nesse tempo, e digo "nesse tempo" como quem fala de outra vida, porque foi de facto noutra vida, era eu mais novo e tu, Douro, ainda não sabias que ias ser tão procurado por tanta gente que nem sequer conhecia o teu nome, pois nesse tempo bastava-me aquela 222, estrada desenhada entre socalcos, um punhado de amigos teimosos e a certeza absurda, quase infantil, de que uma corrida poderia ajudar a mudar o futuro de um território.
Quase ninguém acreditou, salvo um punhado de Gente incrível. E nós, para ser sincero, também não tínhamos certeza nenhuma, tínhamos só aquela fé indescritível dos aldeões que não sabem que é loucura o que estão a iniciar.
Vinte anos depois, sim, deixem-me repetir muito devagar, 20, vinte anos!, como quem conta pelos dedos os avós que já partiram e os filhos e sobrinhos que já nasceram entretanto, o Douro tornou-se numa pista mítica onde, todos os anos em maio, gente de todo o mundo aqui vem para correr, ou caminhar, e eu, que já não tenho idade para me emocionar, continuo a emocionar-me com a mesma vergonha de sempre, a fingir que é o vento que me arde nos olhos e não o mundo inteiro a abraçar-se em plena Barragem de Bagaúste.
Acreditem, lembro-me de tudo. Absolutamente tudo. Lembro-me dos que disseram que não era possível, dos que emprestaram carrinhas para transportar água, ou vinho, dos bombeiros que refrescam corredores como quem baptiza filhos, das crianças penduradas nas grades a aplaudir gente que nunca tinham visto e que nunca mais haveriam de esquecer.
Lembro-me dos parceiros que acreditaram antes de haver motivo para acreditar, dos patrocinadores que se tornaram amigos e dos amigos que se tornaram família. Lembro-me dos voluntários, esses anjos de coração aberto que dão o tempo e a alma para apoiar quem nos visita, sempre de sorriso aberto.
Lembro-me da EDP que chegou para apoiar, quando precisava de convencer o Douro a construir barragens, e nos forçou a excluir outras grandes marcas que já apoiavam, como CGD, REN, DELTA ou JOGOS SANTA CASA, e um dia, quando já não precisava de nós, saiu sem uma única palavra de gratidão ou justif**ação.
Lembro-me de tanta gente boa que permitiu que tudo isto seja hoje uma portentosa realidade. Tanta gente que ajudou e tanta gente que continua a ajudar. Entre esta multidão de gente que tem contribuído para levar o Douro em frente, recordo com eterna saudade o Eng. José António Tojeiro, o Eng. Mesquita Montes, o Eng. Arnaldo Coutinho e o Sr. José António Meireles, todos eles amigos que jamais esquecerei e que um dia, quando lá do outro lado os reencontrar, voltarei a abraçar.
Lembro-me da Cláudia, a jovem que nunca tive o prazer de conhecer, mas que perdeu a vida entre nós, e que será eternizada na nossa história, como neste logo, a correr feliz entre os socalcos da vida eterna.
Lembro-me dos Presidentes de Câmara que, desde o primeiro minuto, disseram presente e contribuíram para que este projeto nascesse. Em 2006, ano de celebração dos 250 anos de Região Demarcada do Douro, este projeto nascia. E, ali, em cima da Barragem de Bagaúste, foram muitos os Autarcas, de toda a Região, que marcaram presença, apoiaram e participaram naquela primeira edição, que será histórica, porque foi a primeira, porque foi a que deu início a tudo isto.
Lembro-me dos sacrifícios da minha família, nomeadamente dos meus pais e da minha irmã, que desde aquela primeira edição me apoiaram, passando noites ao meu lado, a ajudar-me a pôr tudo de pé, todos juntos, sem dormirmos. Lembro-me do tempo que “roubei” em casa, à minha mulher e aos meus filhos, para o dedicar a milhares de viagens para reunir com centenas de empresas, à procura de apoios, que raramente chegavam. Lembro-me das minhas desilusões e desta família maravilhosa nunca ter deixado de me apoiar.
E agora, como que por magia, 20. Chega este número redondo, que embala duas décadas de dedicação e paixão, um vinte desenhado como quem desenha um filho, com os socalcos lá dentro, com a corredora que jamais esqueceremos, com o rio a insinuar-se por entre as letras como insinua a vida por entre os socalcos que serpenteiam este Douro. Não é só um logotipo. Perdoem-me a imodéstia de o dizer assim, mas não é só um logotipo: são vinte edições vestidas de celebração, é a Mais Bela Corrida do Mundo a olhar-se ao espelho e a amar, sem falsa modéstia, o que vê.
20. Vinte edição com a equipa da GlobalSport a produzir este evento como quem produz um Generoso das melhores castas, para engarrafar e oferecer à humanidade, para que todos o possam saborear como quem faz amor ao luar, para sentir e não esquecer, para descobrir o que é signif**a viver.
Porque este não é um evento meu. Nunca foi. Nunca será. Aliás, este não é um evento de ninguém. É um evento do Douro que os meus avós e bisavós, e milhões de outros avós, ajudaram a construir, a punho, sob trabalho escravo e nunca reconhecido. Este evento, na verdade, é um património de toda esta gente, que já partiu e nos deixaram estes maravilhosos jardins suspensos, sendo nossa missão, e obrigação, manter e preservar o que aqui encontramos para as gerações vindouras.
Este é um acontecimento realizado no Douro e pelo Douro. Eu (que fortuna a minha) sou apenas o “tolo” que tem a sorte e o privilégio de lhe segurar a mão enquanto ele aprende a correr sozinho. Um evento que junta cultura e ação social, economia e desporto, vindima e maratona, cálice de Vinho do Porto e linha de meta, como se tudo isto fosse um poema de Miguel Torga transformado em movimento coletivo.
Um evento que, na 19ª edição, em 2026, teve mais de vinte mil participantes de 71 nacionalidades, teve mais de 13,3 Milhões de visualizações nas Redes Sociais e teve um impacto económico, em toda a Região, superior a 15 milhões de euros.
Este foi o primeiro grande evento de massas nascido nestas encostas, aquele que abriu a porta a tantos outros que hoje enchem o Douro de vida, em todas as estações. Este é o evento que mais horas de televisão já ofereceu a esta terra severa e doce, que é preciso amar de perto para se perceber ao longe.
Quando iniciamos este projeto, o Douro não tinha uma única Quinta de portões abertos aos domigos, para visitas ou provas, não tinha mais do que um punhado de hotéis ou residenciais, não tinha praticamente nada aberto ao fim-de-semana. Reuni com centenas de agentes da Região, conjuntamente com a Confraria dos Vinhos do Douro e com a Fundação Museu do Douro. Nestes vinte anos os hotéis multiplicaram-se, o alojamento local disparou, ao Domingo tudo está de portas e portões abertos e a Região mostra-se como sempre foi: com vida.
E aqui chegámos: à vigésima. 20ª. Àquela que sonhámos sem vez alguma ousarmos dizer em voz alta, com receio de que o sonho, ouvindo-se nomeado, se assustasse e fugisse. Não fugiu. Cresceu. Solidificou-se. Tornou-se eterno. Tornou-se Douro.
É verdade que o percurso da prova encontra nos Municípios de Armamar, Lamego e Peso da Régua o seu palco principal, Municípios fundamentais para a vitalidade do projeto, mas este é um projeto do Torritório no seu todo. Estes milhares de corredores, e suas famílias e amigos, espalham-se pela Região Inteira, de Mesão Frio a Freixo de Espada à Cinta, de Sernancelhe a Alijó, até do Porto a Chaves, de Viseu a Vila Real.
Um evento que tem o apoio e envolvimento da Comunidade Intermunicipal do Douro, com os nossos incríveis 19 Municípios, e do Turismo do Porto e Norte de Portugal. Um evento que prestigia um país inteiro.
Vem aí, a 30 de Maio de 2027, um Douro em festa como nunca o Douro o vimos, com três dias de abraço planetário, de uma cintilante ExpoDouro, de cultura, de enoturismo, de vinhos… de gente, de gente abraçada, de gente a sorrir, de gente solidária, de gente Douro que vai invadir a estrada, a nossa Nacional 222, considerada A Melhor Estrada Do Mundo por um prestigiado júri internacional, uma estrada que é a única coisa que nunca muda, por mais que mude tudo o resto à sua volta se altere.
𝐎𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐝𝐨 𝐃𝐎𝐔𝐑𝐎!
𝐎𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐮𝐫𝐢𝐞𝐧𝐬𝐞𝐬!
Obrigado Douro por me teres deixado sonhar. Obrigado por me teres deixado f**ar. Obrigado a quem correu e a quem corre, a quem grita nas bermas a apoiar quem nos visita, a quem serve água, a quem chora sem saber bem porquê à chegada de um desconhecido. Obrigado ao mundo, que todos os anos, num fim de semana de maio, se senta “à nossa mesa” e brinda connosco, com um cálice de Vinho do Porto, como se sempre tivesse vivido aqui. Obrigado a todos os que correm ou caminham, no Douro e na vida, de sorriso aberto e coração a palpitar.
20. Vinte anos. E o coração, este coração teimoso que um dia achou que uma corrida podia ajudar a mudar o paradigma de um território, continua exatamente do mesmo tamanho de sempre.
Não me esqueço de todos aqueles que me disseram, e muitos continuam a dizer que "não", não me esqueço do que tentam copiar tudo o que fazemos... mas prefiro continuar a sonhar agarrado a todos aqueles que me continuam a dizer que sim, que apoiam, que alavancam, que empurram e que motivam. É a todos estes últimos que dedico a minha total e absoluta palavra de gratidão! OBRIGADO! Do fundo do coração: OBRIGADO.
Até já, Douro. 𝐀 𝐯𝐢𝐠𝐞́𝐬𝐢𝐦𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐜̧𝐚 𝐚𝐠𝐨𝐫𝐚.
E, todos juntos, vamos fazer desta a maior e melhor edição de sempre.
Esta será sempre “𝗔 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗕𝗲𝗹𝗮 𝗖𝗼𝗿𝗿𝗶𝗱𝗮 𝗗𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗱𝗼”.
Um abraço do tamanho do Douro,
Paulo Costa
GlobalSport