12/08/2026
Um texto que me fizeram chegar e que partilho por refletir tão bem a atualidade do nosso clube.
O Benfica de todo o sócio que ignora a realidade...o Benfica de Rui Costa.
"Agora não vou falar de política, mas do meu Benfica.
Não sou anti Porto pois o Porto é a cidade onde nasci.
Não sou anti Sporting pois em futebol o mais importante é o Benfica, não os outros.
Cá vamos.
O empate com o Académico de Viseu, na Luz, seria apenas um acidente se acontecesse isoladamente. Não acontece.
É mais uma fotografia de um Benfica que há demasiado tempo deixou de viver para ganhar e começou a viver de se habituar a ganhar de vez em quando.
É isso que mais me preocupa.
Eu lembro-me de um Benfica em que perder um campeonato era uma tragédia. Hoje discutimos segundos lugares, vendas milionárias, “anos de transição”, treinadores, arbitragens e balanços positivos como se alguma destas coisas pudesse substituir aquilo para que o Benfica existe: GANHAR NO FUTEBOL.
É preciso recuar algumas décadas para perceber como chegámos aqui.
João Santos presidiu a um Benfica já cheio de dificuldades financeiras, mas que ainda pensava como um gigante: foi campeão e chegou a duas finais da Taça dos Campeões Europeus.
Jorge de Brito continuou essa ambição, chegando a colocar dinheiro pessoal no clube.
Isto por si só já explica que o Benfica dos sócios era uma mentira pois vivia de mecenas.
Era um modelo insustentável, mas havia uma diferença fundamental:
O dinheiro servia para construir equipas. As equipas não serviam para movimentar dinheiro.
Com Manuel Damásio começou a desagregação desportiva e a injeção de mediocridade. O Benfica campeão de 1994 foi praticamente desfeito. Depois, Vale e Azevedo levou-nos para um dos períodos mais negros da nossa história.
Vilarinho merece ser distinguido: recebeu um clube profundamente fragilizado e teve um papel importante na recuperação institucional e no projeto do novo Estádio.
Depois chegou Luís Filipe Vieira.
Vieira reconstruiu muito e seria desonesto negá-lo: estádio, Seixal, formação, receitas, marca, títulos, duas finais da Liga Europa e um tetracampeonato.
Mas deixou também um cancro que permanece até hoje: o Benfica transformado num entreposto de compra e venda de jogadores e de pessoas que se servem do Benfica.
Rui Costa é a continuidade do cancro para pior.
Aqui acabam as desculpas.
Rui Costa não recebeu o Benfica de Vale e Azevedo. Recebeu estádio, academia, receitas gigantescas, capacidade de investimento e uma das melhores formações do mundo.
E gastou centenas de milhões deitados fora sem apropriado retorno desportivo.
Até ao verão de 2025, o Benfica tinha investido, durante a sua presidência, cerca de 320 milhões de euros em 48 jogadores.
Quarenta e oito.
E basta recordar alguns negócios: Yaremchuk, Jurasek, Meïté, Bruma, Tengstedt, Obrador, Arthur Cabral, Ivanovic. Só em 2023/24 foram mais de 100 milhões de euros em reforços.
Uns renderam pouco. Outros praticamente nada. Alguns foram rapidamente emprestados ou vendidos.
Entretanto saíram Enzo, Grimaldo, Gonçalo Ramos, João Neves e outras referências.
E aqui está o verdadeiro problema:
Quem os substituiu?
É que vender bem não significa gerir bem.
Um grande clube sabe quem vai substituir um titular antes de o vender. No Benfica parece demasiadas vezes vender-se primeiro e procurar-se depois e os que vêm normalmente são piores.
Sai qualidade, entra frequentemente qualidade inferior. Compra-se para corrigir a compra anterior em cima do joelho. Empresta-se. Vende-se. Compra-se novamente.
E cada volta deste carrossel significa transferências, salários, amortizações, prémios, intermediários e comissões.
O dinheiro circula, custos operacionais aumentam e enquanto tal o Benfica perde e morre aos poucos com os sócios a votar e a apoiar esta política.
O que não vemos a circular com a mesma frequência são os títulos.
E nem sequer podemos alegar pobreza.
O Grupo Benfica tinha, nas últimas contas disponíveis, cerca de €650 milhões em ativos, mas também cerca de €569 milhões de passivo e €204 milhões de dívida líquida.
E os custos operacionais?
Aqui convém separar novamente Clube e SAD.
Na Benfica SAD os gastos operacionais sem transações de direitos de atletas foram €113,4 milhões apenas nos primeiros seis meses de 2025/26.
Dentro destes, os fornecimentos e serviços externos representaram €38,6 milhões.
Portanto, o diagnóstico é muito mais grave:
O Benfica tem dinheiro. O Benfica gasta dinheiro. O Benfica é que gasta demasiado dinheiro para o pouco futebol que produz.
Isto chama-se má gestão. É um crime com direito a despedimento por justa causa em qualquer empresa.
E não podemos esquecer o Benfica institucional.
Fomos gravemente prejudicados em arbitragens. Basta recordar a polémica final da Taça de Portugal contra o Sporting, Famalicão na época passada ou Braga. Em Famalicão, o próprio Rui Costa chegou finalmente a dizer que parecia que estavam a impedir o Benfica de chegar à Champions.
Mas onde está o Benfica durante o resto do tempo?
Onde estava o Benfica quando era prejudicado em campo e na centralização dos direitos televisivos?
Um clube desta dimensão não pode passar meses calado e aparecer indignado quando os pontos já desapareceram e as coisas já estão decididas.
Tem de possuir estratégia, representação e peso institucional permanente na Liga, Federação e arbitragem.
A centralização dos direitos televisivos está determinada legalmente aos anos. Estamos em 2026 e só agora Rui Costa transformou o assunto numa verdadeira batalha pública, com uma petição para suspender e rever o processo?
Deixou passar anos?
Estamos a falar de uma decisão que poderá afetar centenas de milhões de euros e o futuro económico do Benfica durante décadas.
Onde esteve esta guerra antes?
É este o padrão que vejo na presidência de Rui Costa:
Navega-se ao sabor das circunstâncias ao invés de antecipar.
Corrige-se o plantel depois.
Procura-se o jogador depois.
Muda-se o treinador depois.
Protesta-se contra a arbitragem depois.
Combate-se institucionalmente depois.
Está sempre tudo a acontecer depois.
Ficava a dormir, como dizia Domingos Soares Oliveira, e chega ao clube depois.
O grave é que não estamos a falar de um presidente que chegou ontem.
Rui Costa esteve anos na administração de Luís Filipe Vieira e preside ao Benfica desde 2021.
Foi um jogador extraordinário. Isso não lhe dá automaticamente competência para administrar uma organização que movimenta centenas de milhões.
Depois de cinco anos, já não há estágio.
Os resultados são o currículo. Este currículo é um cadastro.
E assim chegamos ao Académico de Viseu.
Estádio da Luz vazio. Primeira jornada. Benfica duas vezes em vantagem. Resultado: 2-2.
Um empate não demonstra incompetência.
Mas naquele contexto parece uma metáfora perfeita:
Um clube gigantesco, uma máquina caríssima e uma equipa incapaz de se impor em casa a um recém-promovido.
E talvez o número mais assustador de todos seja 65,89%.
Foi essa a percentagem com que os sócios reelegeram Rui Costa.
Por isso o problema já não é apenas Rui Costa.
É aquilo que os benfiquistas aceitam e normalizam.
Habituamo-nos a perder campeonatos. Basta ganhar a um Hearts desta vida e já se esquece tudo.
Habituamo-nos a vender os melhores e aceitar mediocridade.
Habituamo-nos a começar épocas com plantéis incompletos. Isto afecta a mentalidade e retira condições para treinadores e jogadores terem sucesso.
Habituamo-nos a comprar três para acertar num.
Habituamo-nos a celebrar vendas como se fossem títulos. O que é assustador.
Habituamo-nos a procurar desculpas.
Se o Benfica se transformou num local que não dá condições, obviamente ninguém quer ficar no Benfica pois é fazer parte de um corpo ligado às máquinas.
E é assim que os grandes clubes começam verdadeiramente a morrer.
Não quando ficam sem dinheiro, mas quando ficam sem exigência.
O Benfica não está falido. Tem dinheiro, adeptos, estádio, formação, património e dimensão mundial.
O que lhe falta é algo muito mais difícil de comprar:
Uma direção à altura do Benfica.
Entendam que o Benfica não existe para comprar jogadores.
Não existe para vender jogadores.
Não existe para pagar comissões.
Não existe para apresentar mais-valias.
O Benfica existe para ganhar e quando um clube gasta como um gigante, mas é gerido e planeado como se estivesse numa mercearia, chega uma altura em que temos de parar de culpar sempre o treinador, o árbitro ou o último jogador contratado.
O problema está acima deles. Está sentado na cadeira da presidência.
E enquanto os benfiquistas não perceberem isso, continuaremos a trocar jogadores e treinadores enquanto assistimos, época após época, à mesma coisa:
À crónica de uma morte anunciada.
Culpados?
Rui Costa e quem nele votou.
Até onde é preciso ir? Qual é o grau de destruição do clube que os sócios precisam aceitar para se mudar de vez esta m***a?"
Autor desconhecido