os nossos poetas do XXIII Convívio
I
Foi no ano de 1972
A 24 de Abril
Que eu saí de casa
Deixei a vida civil
II
Quando saí de casa
Minha mãe me disse a chorar
Adeus, querido, filho
Que vais para a vida militar
III
Não se preocupe ó minha mãe
Não vale a pena chorar
Se deus quiser um dia
Com saúde hei de regressar
IV
Despedi-me da família
Com dor e muita emoção
Para ser bom militar
Tem que haver bom coração
V
Eram 11 horas da manhã
Quando cheguei a Leiria
Via tudo tão alegre
Só eu não tinha alegria
VI
É uma vida muito triste
Nem á outra como esta
Mas é tão grande a alegria
Quando com saúde se regressa
VII
É dever de todo o homem
Ser um bom militar
Defender a sua pátria
Se não cá, no ultramar
VIII
Partida para o ultramar Moçambique
Aos 2 de Janeiro
No ano de 1973
Despedi-me por dois anos
Pessoalmente a última vez
IX
Ao chegar à estação
O comboio se aproximou
Despedi-me do meu irmão João
O que muito me emocionou
X
Cheguei a Santa Margarida
Meus colegas encontrei
Via muito rosto triste
Muito mais me emocionei
XI
De autocarro saímos
Dos Claras era a empresa
A música era alegre
Mas nos rostos era tristeza
XII
Chegamos ao aeroporto
Junto da base paramos
Vimos muitos rostos
Estavam todos pasmados
XIII
Às 21:30
No avião demos entrada
E daí a poucos minutos
Lisboa para trás ficava
XIV
No dia 3 de janeiro
Às 6:10 aterramos
Quando fomos a ver
Já em Luanda estávamos
XV
Novamente às 7:10
O avião voo levantou
Eram 10:40
Quando na Beira aterrou
XVI
Ao chegarmos às salas de espera
Dizia a velhice com alegria
Vai para o mato ó xeca
A ti é que eu te cá queria
XVII
Estivemos 3 dias na Beira
Muito dinheiro eu gastei
Para não encostar o umbigo às costas
Por isso o larguei
XVIII
No dia 7
Nova viagem iniciamos
Com destino a Tete
Da Beira nos deslocamos
XIX
Fiz uma boa viagem
Felizmente correu bem
Mas á colegas meus
Que não falam assim também
XX
No dia 10 chegamos a tete
Onde 2 dias repousamos
Vínhamos muito cansados
Pois foram 700 Km andados
XXI
Novamente no dia 12
Nova viagem iniciamos
Com destino ao mato
Onde agora nos encontramos
XXII
Choveu tanto, tanto
E sem jeitos de parar
Mesmo debaixo de água
Tivemos que trabalhar
XXIII
Logo para principiar
O lugar fomos escolher
Lá montamos a barraca
E continua a chover
XXIV
Mas no dia seguinte
O sol logo despertou
E dentro de poucos minutos
Até poeira o chão ganhou
XXV
Os dias iam passando
E tudo para trás ficava
Só não ficavam para trás
A saudade que me acompanhava
XXVI
Até ao dia 25
As situações eram normais
Mas nesse mesmo dia
Houve assidentes mortais
XXVII
Foi no batalhão de caçadores 17
E nesse dia á tarde
Que se deu o acidente
Que apavorou toda a cidade
XXVIII
Dele foram resultados
2 mortos e 7 feridos
Mas felizmente nem todos
Os que estavam foram atingidos
XXIX
Dois dias antes
Tinha eu saído para o mato
E logo no dia 26
Da notícia fui informado
# # #
Aquela triste notícia
Que pela rádio ouvi
E logo aos meus colegas
Em seguida a transmiti
# #
Logo no dia 28
Mais 1 acidente se deu
Um unimog dos nossos
Que numa Berliet embateu
# #
Dessa vez felizmente
Feridos não ouve nenhuns
Mas os sustos nesse momento
Deviam ter sido alguns
# #
Já não me recordo o dia
Em que também fomos alvejados
E logo para principiar
Por abelhas fomos atacados
# #
Nesse ataque surgiram
Feridos bastante graves
Que urgentemente foram
De helicóptero evacuados
# #
Mais um mês entrou
Ao fim de 19 dias passados
Pela primeira vez
Pelos turras fomos atacados
# #
No dia 20
Foi para eles descansarem
Para no dia 21
Novamente atacarem
# #
Atacaram fortemente
Fizeram fogo cruzado
E logo por azar
Um carro foi estampado
# #
Apesar de muito fogo
As nossas forças não flagelaram
Ouve nove gravemente feridos
Porque em andamento saltaram
# #
No dia 22
Novamente atacaram
Mortes não ouve
Mas graves prejuízos causaram
XL
No dia 23
Voltaram a atacar
Mas dessa vez 6 turras
Tiveram o azar de lerpar
XLI
Nós não tivemos baixas
Mas feridos graves ficaram
Porque em andamento
Das viaturas saltaram
XLII
Até ao fim do mês
O tempo ia passando
Ou melhor, ou pior
Lá fomos aguentando
XLIII
Esta vida é tão triste
Ainda o volto a dizer
Nunca vi na minha vida
Tantos jeitos de morrer
XLIV
No dia 2 de março
Um 404 se voltou
Motivou este acidente
Um pneu que rebentou
XLV
Todos ficaram feridos
Com bastante gravidade
No momento do acidente
Era muita a velocidade
XLVI
Logo no dia 28
Novo acidente se deu
Um unimog dos nossos
Que noutro dos comandos embateu
XLVII
Esse violento acidente
Feridos não resultou
Um furriel por saltar
É que da morte se livrou
XLVIII
Até á data presente
Os acidentes são elevados
Poderiam ser menos
Se alguns condutores fossem acautelados
XLIX
Tem havido muitos
E tenho visto jeitos de mais
Se não fosse obrigado
Esta vida não via mais
L
O tempo vai seguindo
E os dias vão passando
Com alegria ou tristeza
Aqui se vai andando
LI
No dia 28 de março
Nova emboscada surgiu
Um civil apanhou um tiro
Que mortalmente o atingiu
LII
Foi a primeira vez
Que numa emboscada me encontrei
Ouvi tiros, ouvi gritos
Mas de nada me aleijei
LIII
As emboscadas são fortes
Atacam sempre assim
A 20 metros da estrada
E metidos no capim
LIV
Nós lá íamos passando
Nas viaturas montados
Escoltando os civis
Que foram flagelados
LV
Íamos a passar
E por sinal devagar
Metemos a agulha na seringa
E vai de injetar
LVI
Eu não era enfermeiro
Mas de nada me importava
Se pudesse dar a todos
Do sarampo os curava
LVII
Esta já lá vai
Não á mais a lamentar
Queira Deus que não volte outra
Que me dê tanto que falar
LVIII
Chega o 28 de Abril
Mais uma emboscada se deu
Meia hora debaixo de fogo
Felizmente ninguém morreu
LIX
Apesar de não haver mortos
Os feridos foram elevados
Logo urgentemente foram
Para o hospital evacuados
LX
Não esperava falar tão cedo
No que agora falei
Mas desta felizmente
Não foi lá me encontrei
LXI
Estava aqui de serviço
Muito bem descansado
Quando de repente fui
Daquela notícia informado
LXII
Ao fim de tudo isto
O comandante fui informar
Ao fim de 2 dias
Os comandos lá foram largar
LXIII
Além dos comandos
Também aviões bombardearam
E nesse mesmo dia
Quatro turras mataram
LXIV
Os comandos agiram bem
Quando os turras atacaram
E ao fim de os matarem
Até as orelhas lhe cortaram
LXV
Além de os matarem
E as orelhas lhe cortarem
Capturaram 4 armas
Para mais não atirarem
LXVI
Esta já passou
Não á mais a lamentar
Eu já sei que nesta vida
Temos muito que lutar
LXVII
Estamos no fim do mês
Felizmente sem mais nada
Esperamos pelo maio
Que começa esta madrugada
LXVIII
Chegou o dia 1
Se Deus quiser daqui não saio
Levantei-me bem cedo
Para não deixar entrar o maio
LXIX
Já estamos no dia 2
E a noite já é serrada
Com paz passei o dia
Assim a noite seja passada
LXX
Como hoje é dia 3
Qualquer coisa tenho a dizer
Pois estive de serviço
Escolta à coluna andei a fazer
LXXI
Mas nesse mesmo dia
Ainda mais direi
Fez precisamente 4 meses
Que terras de moçambique pisei
LXXII
Ainda não esqueci o de ontem
E além disso já o passei
Também fez 4 meses
Que a minha terra natal deixei
LXXIII
Chegou o dia 6
Mais uma surpresa apanhei
Pensava dormir na minha cama
Mas disso não me gozei
LXXIV
Não dormi na minha cama
E sem disso ser culpado
Pois a outra era mais dura
O colchão é alcatroado
LXXV
Fomos lá dormir
Por um carro ser estampado
E por estas e por outras
Assim sofre o Zé soldado
LXXVI
Esta vida é tão triste
Mais uma vez o digo
Mas ainda o pior
São as visitas do inimigo
LXXVII
Eu aqui vou andando
Sem de nada ser culpado
Os grandes levam a guita
E quem trabalha é o soldado
LXXVIII
Que seja isto o pior
Que nos venha a acontecer
Mas o homem que vem á guerra
Anda dia a dia a sofrer
LXXIX
Assim vão passando os dias
Mas a guerra não acabou
Hoje dia 28 de Maio
O inimigo nos visitou
L # # #
Estas visitas são duras
Sem beijos nem abraços
De um lado e de outro
É só balas e estilhaços
L # #
Neste dia memorial
Também eu lá estava
E ao lado do condutor
Quando o fogo enfrentava
L # #
Foi um milagre nesse dia
Eu não morrer ali
Com tanto fogo sobre o carro
Logo furaram o chaxi
L # #
Apesar de tanto fogo
Nenhum de nós foi atingido
Só um furriel por saltar
Ficou gravemente ferido
L # #
Logo ao cessar fogo
Apoio aéreo eu pedi
Ao fim de poucos minutos
Os aviões estavam ali
L # #
Continuamos a viagem
Mas eu sempre a pensar
Não à vida mais amargurada
Que a do pobre militar
L # #
Passa sede passa fome
Passa noites sem dormir
Vem com saúde da metrópole
Não sabe se volta a ir
L # #
Anda sempre metido na guerra
Vive dentro de uma palhota
Bebe água quente ao almoço
Ao jantar come cambalhota
L # #
Pensa logo no outro dia
Talvez a ementa vá mudar
Come arroz cru ao almoço
Peixe estragado ao jantar
L # #
Aproxima-se o fim do mês
Mas a guerra não acabou
Hoje dia 29
O inimigo nos emboscou
XC
Atacaram-nos na coluna
Bem pertinho da estrada
Utilizaram novo sistema
De atacar á roquetada
Versos do Seixas
Versos do Seixas em Fátima 2026
Mais um ano se passou
Aqui estamos novamente
A recordar os nossos
Tempos de combatente
Fomos todos obrigados
A ir para o ultramar
Como íamos tão mal preparados
Para a guerra defender
Respondemos á chamada
Para Portugal defender
Deixamos as nossas famílias
Para cumprir o nosso dever
Na flor da nossa idade
Com vontade de namorar
Os nossos governantes
Chamaram-nos para a vida militar
Dois meses de instrução
Para aprender a matar
Ao fim de três meses
Estamos mestres para matar
Lá fomos para a guerra
Com a espingarda na mão
Os turras começam aos tiros
E nós deitados no chão
Tivemos muitos feridos
E mortos também
Hoje os nossos governantes
Não nos passam cartão
Hoje dão-nos uma esmola
Para o almoço anual
E um passe para a gente
Irmos passear
Também nos dão medicamentos
Para ajudar a passar dor
Pensam eles que nos estão
A fazer um grande favor
Somos ex. combatentes
Cumprimos o nosso dever
Devemos ser respeitados
Sempre e até morrer
João Oliveira
Eu julgo cá para mim
Que o Seixas tem rima fraca
Mas que é melhor, mesmo assim,
Do que a fazer ... mão de vaca!
Mas para ti afinal
Um abraço e parabéns,
Porque sem seres genial
É grande a lata que tens.
Pró restante pessoal
Deixo um abraço também,
Falto ao convívio anual
Porque não estou nada bem.
Mas para o ano, no Minho,
Em Amares, lá para Braga,
Talvez que beba um copinho
Do afamado " verdinho"
E que as melhoras me traga
CCAÇ 4244
Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de CCAÇ 4244, Guimarães.
A CCAÇ 4244, cujo lema é: "Alea Jacta Est"; serviu na guerra do ultramar na provincia de Moçambique, distrito de Tete , ficando sitiada no Km 19, cruzamento das estradas Beira-Tete e Tete -Cabora Bassa
08/06/2026
ATENÇÃO: O ponto de encontro para o nosso Convivio no di 06/06/2026 em Fátima é no Parque 12 e não no 2 como foi anunciado. É no Parque logo a seguir ao reservado para os autocarros. Um abraço a todos
15/03/2026
O nosso 23º Convívio stá m marcha. Vamos lá marcar a nosso presença com a organização.( pdm fazr-lo pela nossa pagina no WhatsApp
30/12/2025
Com um Grande Abraço para todos
Clique aqui para solicitar o seu anúncio patrocinado.
Localização
Telefone
Website
Endereço
Guimarães
4815-281