04/10/2026
De Penamacor a Monsaraz: 363 quilómetros pelo interior de
Portugal
No sábado, 26 de setembro de 2026, arrancou a segunda etapa da Travessia Norte–Sul, organizada em duas secções e com um total de 363 quilómetros. O primeiro dia levou os participantes de Penamacor a Arronches, ao longo de 226 quilómetros. No dia seguinte, seriam cumpridos os restantes 137 quilómetros, até à praia fluvial de Monsaraz.
A primeira secção teve início em Penamacor, por volta das 9 horas. O sol e a temperatura amena acompanharam a partida da comitiva, que seguiu em direção a Alcains, passando junto à antiga estação de caminho de ferro. Outrora importante ponto de escoamento da produção agrícola e industrial da região, a estação mantém nos imponentes silos de cereais uma das marcas desse passado e uma referência para quem, décadas atrás, viajava de comboio entre o norte e o sul do país.
O percurso prosseguiu em direção a Castelo Branco. Foi já nesta cidade que surgiu o primeiro imprevisto do dia: um dos participantes ficou com um amortecedor traseiro partido e pediu auxílio à organização. Depois de assegurada a aquisição de um novo componente, a equipa da organização procedeu à substituição, permitindo que o veículo retomasse a travessia sem comprometer a participação.
De Castelo Branco, a caravana avançou até Vila Velha de Ródão, onde atravessou o rio Tejo, seguindo depois para Nisa, local escolhido para a pausa de almoço.
Terra marcada pela passagem de romanos, povos bárbaros e árabes, Nisa recebeu também, naquele dia, a caravana do Clube Land Rover de Portugal. Mas o almoço seria precedido por mais uma intervenção mecânica. Desta vez, o problema afetou um Defender, cujo motor entrava repetidamente em modo de segurança. Apesar das tentativas da organização para resolver a avaria, não foi possível encontrar uma solução definitiva. A família manteve, ainda assim, o objetivo de completar a etapa e prosseguiu o percurso acompanhada de perto por um Land Rover da organização.
Depois do almoço, a caravana continuou a descer pelo Alto Alentejo, em direção a Alter do Chão. A vila, conhecida pela tradição na criação de cavalos de sela e, em particular, dos cavalos lusitanos, foi mais um dos pontos de passagem de uma jornada marcada pela diversidade das paisagens e pelo contacto com o património do interior.
Ao final do dia, a comitiva chegou a Arronches, a vila alentejana que Luís de Camões evocou n’Os Lusíadas como «a forte Arronches». Foi ali que os participantes jantaram e pernoitaram, antes de retomarem a estrada na manhã seguinte.
De Arronches a Monsaraz
A segunda secção da etapa começou no domingo de manhã. Por volta das 9 horas, os participantes deixaram Arronches rumo a Monforte, iniciando mais 137 quilómetros de percurso.
Com uma condução mais fluida, o trajeto levou a caravana progressivamente para sul. Pelo caminho, alguns corta-fogos quebraram o ritmo e proporcionaram momentos mais exigentes, permitindo aos participantes testar as capacidades e os diferentes recursos dos seus Land Rover.
A comitiva passou ainda nas proximidades de Estremoz, a chamada Cidade Branca, cidade intimamente ligada à história de Portugal e à presença de vários reis e rainhas.
A etapa terminou junto à praia fluvial de Monsaraz, com o lago de Alqueva como cenário. Foi ali que os participantes se reuniram para o almoço de confraternização, encerrando a segunda etapa da Travessia Norte–Sul à mesa, com um tradicional cozido de grão que fez as delícias de todos.
Foram dois dias, 363 quilómetros e várias histórias pelo caminho — entre paisagens do interior, património, desafios mecânicos e, sobretudo, a camaradagem que marcou mais uma etapa da Travessia Norte–Sul.
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