Fonoaudióloga Letícia Dornelas

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03/09/2026

Algumas situações acontecem com muita frequência no atendimento domiciliar, mas quase nunca aparecem nas redes sociais.

Por trás de cada atendimento, existem imprevistos, desafios, decisões difíceis, responsabilidade e muito envolvimento emocional.

Nem tudo cabe em uma foto bonita.

Me conta: alguma dessas situações já aconteceu com você? O que também faz parte do seu atendimento domiciliar, mas você não posta?

01/09/2026

Algumas frases parecem motivacionais, mas podem gerar culpa e pressão durante a reabilitação.

Eu mesma já disse algumas delas. Hoje, entendo que nem sempre a dificuldade para evoluir está relacionada à falta de esforço. Existem limitações neurológicas, cognitivas, emocionais, sociais e familiares envolvidas.

Por isso, tenho substituído a cobrança pela escuta, pela adaptação e por perguntas que me ajudem a compreender o paciente.

Reabilitar não é culpabilizar. É construir possibilidades junto com ele.

E você? Já falou ou ouviu alguma frase que parecia motivacional, mas acabou sendo tóxica?

27/08/2026

A família não tem como avaliar a sua técnica (por mais que seja muito importante te-lá). Mas, ela avalia o que consegue perceber.

E o que ela percebe é como você explica, organiza e conduz. 👀

Salva esse aqui pra reler antes da próxima visita e me conta: qual dessas você já soltou sem pensar?

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25/08/2026

Nenhuma dessas frases parece errada. E é aí que mora a questão.

A primeira opção encerra o assunto. A segunda acolhe e abre espaço pra olhar com calma e entender o que está acontecendo.

E é exatamente aí que mora a diferença: elas vêm do lugar certo, mas encerram a conversa cedo demais. Onde poderia começar uma investigação, entra um “deixa pra lá”.

Mudar a frase não é falar bonito. É manter a porta aberta pra que alguém olhe com atenção e, na maioria das vezes, isso muda bastante coisa.

Salva pra saber o jeito correto de falar e depois me conta: qual dessas você vai usar?

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20/08/2026

Por que muitos idosos começam a dizer que a comida está “sem gosto” e passam a colocar cada vez mais sal ou açúcar?

Isso não deve ser ignorado.

Com o envelhecimento, pode ocorrer uma redução da sensibilidade do paladar e, principalmente, do olfato. E é importante entender que gosto e sabor não são a mesma coisa.

O gosto é responsável por identif**ar doce, salgado, ácido, amargo e umami. Já o sabor é uma experiência mais completa, que depende da integração entre paladar, olfato, saliva, temperatura e textura dos alimentos.

Por isso, o idoso pode até perceber que determinado alimento está doce ou salgado, mas ainda assim sentir que “a comida não tem mais o mesmo sabor”.

E onde está o perigo?

Quando tudo parece sem gosto, o prazer de comer pode diminuir e, consequentemente, o idoso pode começar a se alimentar menos. Isso pode favorecer perda de peso, desnutrição e redução de massa muscular, inclusive comprometendo estruturas importantes para a mastigação e a deglutição.

Outra situação muito comum é tentar compensar essa alteração acrescentando cada vez mais sal ou açúcar às refeições.

Além do próprio envelhecimento, boca seca, uso de medicamentos, alterações dentárias, próteses, refluxo e algumas doenças neurológicas também podem interferir nessa percepção.

E se o olfato estiver reduzido, existe ainda uma questão de segurança: o idoso pode ter dificuldade para perceber alimentos estragados, fumaça ou até vazamento de gás.

Então, quando um idoso disser: “A comida está sem gosto”, não ignore.

Não é só sobre sabor. É sobre nutrição, deglutição e segurança.

Conhece alguém que precisa saber disso? Compartilhe este conteúdo.

18/08/2026

Três coisas sobre a paralisia facial que quase ninguém explica no início.

A primeira: nem toda paralisia facial melhora em três meses. O tempo e o grau de recuperação dependem da causa, da gravidade da lesão e do comprometimento das fibras do nervo facial. Em alguns casos, a evolução pode continuar acontecendo por muito mais tempo.

A segunda: fazer mais exercícios não signif**a recuperar mais rápido. Na reabilitação fonoaudiológica, os movimentos precisam ser precisos, controlados e realizados com o mínimo de esforço necessário.

A sincinesia ocorre principalmente devido à regeneração desorganizada das fibras do nervo facial. Por isso, movimentos excessivos, fortes e repetitivos, especialmente sem orientação, podem favorecer padrões inadequados. É quando, por exemplo, o olho fecha involuntariamente ao sorrir ou a boca se movimenta ao fechar os olhos.

A terceira: não existe uma sequência de exercícios que funcione para todos. É necessário avaliar o estágio da paralisia, simetria, tônus, mobilidade, presença de contraturas e sincinesias, além do impacto nas funções de fala, mastigação e deglutição.

A reabilitação pode envolver treinamento neuromuscular, movimentos seletivos, alongamentos, massagens, feedback visual e biofeedback por eletromiografia, sempre de acordo com a necessidade de cada paciente.

Paralisia facial não se trata copiando uma sequência de exercícios da internet. Cada rosto apresenta um padrão diferente e precisa de uma estratégia individualizada.

O tratamento pode ser longo. Mas longo não signif**a sem evolução. O objetivo é buscar cada vez mais controle, simetria e funcionalidade facial.

Dando continuidade à nossa série Fono e Paralisia Facial, ainda temos muito para conversar sobre avaliação, fisiologia e reabilitação.

Salve este post e acompanhe os próximos conteúdos da série.

13/08/2026

Fez um procedimento estético e depois percebeu que o seu sorriso ficou torto ou que um lado do rosto não responde como antes? Isso merece atenção. O movimento da face depende do nervo facial, o VII par craniano, que se divide em diferentes ramos responsáveis pela musculatura da expressão facial. Dependendo do procedimento, pode ocorrer trauma direto ou compressão provocada por edema ou hematoma, prejudicando a condução do impulso nervoso. Em uma neuropraxia, o axônio permanece preservado, mas a condução f**a temporariamente bloqueada. Quando existe comprometimento axonal, a recuperação pode ser mais complexa. Mas é importante entender que nem toda assimetria facial signif**a lesão do nervo. A toxina botulínica, por exemplo, atua na junção neuromuscular, reduzindo a liberação de acetilcolina e, consequentemente, a contração muscular. Por isso, rosto torto depois de um procedimento estético não é diagnóstico. É preciso avaliar onde e como essa função foi alterada. Você já apresentou alguma alteração facial depois de um procedimento estético ou nem sabia que isso poderia acontecer? Salve este conteúdo e acompanhe meu perfil para entender mais sobre paralisia facial com base em fisiologia e evidência científ**a.

11/08/2026

Você sabe por que utilizo plástico filme nos equipamentos durante o atendimento domiciliar?

Como alguns materiais entram em contato com a pele do paciente, utilizo o plástico filme como barreira de proteção. Depois do uso, retiro o plástico e faço a limpeza e a desinfecção conforme a orientação do fabricante.

Um cuidado simples que reforça a biossegurança e a proteção do paciente.

06/08/2026

Verdades que aprendi no atendimento domiciliar e que podem evitar muitos erros na sua carreira.

• Você não precisa aceitar café, almoço ou permanecer além do horário da sessão para ser educado. Ser cordial não signif**a abrir mão dos seus limites.

• Nem toda conversa precisa de uma resposta. Muitas vezes, ouvir e redirecionar a atenção para o paciente é a melhor conduta.

• O paciente não é seu único foco. A família e o cuidador precisam ser orientados, mas isso não signif**a permitir que conduzam a terapia.

• Não prometa resultados. Prometa uma avaliação criteriosa, raciocínio clínico e um tratamento baseado em evidências.

• Não tenha medo de dizer “não sei”. Tenha medo de responder sem conhecimento.

• Nem toda intercorrência precisa ser resolvida imediatamente. Algumas exigem reavaliação e discussão com a equipe.

• Documente tudo. Evoluções, orientações e intercorrências. O que não está registrado pode ser difícil de comprovar.

• Chegar no horário também signif**a terminar no horário. Respeitar seu tempo faz parte do profissionalismo.

• Não transforme o WhatsApp em consultório. Estabelecer limites melhora a comunicação e preserva a qualidade do seu atendimento.

• Lembre-se: a casa é do paciente, mas, durante a sessão, ela precisa se tornar um ambiente terapêutico.

• Nunca leve problemas de uma família para outra. Cada paciente merece um atendimento livre de comparações.

• Criar vínculo é importante. Excesso de intimidade, não. Manter limites fortalece a relação profissional.

• Nunca diminua outro profissional para valorizar o seu trabalho. Sua competência deve falar por você.

• Cobrar pelo seu trabalho não diminui o cuidado que você oferece. Valorizar sua profissão também é uma postura ética.

• E, por fim, uma das maiores lições que aprendi: o diferencial do atendimento domiciliar não está em ter mais equipamentos. Está em ter raciocínio clínico para saber quando, por que e como utilizar cada recurso.

A experiência ensina muito. Mas aprender com quem já percorreu esse caminho pode evitar erros, acelerar seu crescimento e tornar sua prática

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