30/08/2026
Athletico PR 3x3 Fluminense (por Marcelo Savioli)
Amigos, amigas, o Fluminense viveu no final da manhã e início de tarde deste domingo um verdadeiro passeio de roda gigante. Talvez, para os mais arrojados, de montanha-russa.
Começou jogando bem, dando ótimos sinais de que poderia sair com a vitória da Arena da Baixada. Foi do Fluminense, inclusive, a primeira oportunidade clara de gol. Já passáramos dos 20 minutos e o Athletico começava, na ocasião, a ter predomínio territorial, embora infrutífero. Canobbio chutou duas vezes praticamente da marca do pênalti, após belo passe de Ganso. Na segunda, Santos mergulho para defender o arremate sem a devida e necessária potência para vencê-lo.
Dali em diante, o Athletico, que não encontrara caminhos para o gol do Fluminense, começou a encontrar soluções ofensivas, sobretudo pelos lados do campo. Foram pouco mais de dez minutos em que conseguiu encurralar o Fluminense com uma marcação em bloco e extremamente organizada, que quebrava completamente nossas conexões entre suas linhas de marcação.
Sabe quando você está se afogando e cada vez que consegue voltar à tona vem uma nova onda? Espero que não, mas era mais ou menos o que acontecia. Quando não devolvíamos a bola nas imediações da nossa área, o fazíamos mais à frente e quando, por algum milagre, conseguíamos chegar no fundo do funil defensivo athleticano, tínhamos no máximo um ou dois jogadores para duelar contra a defesa deles montada.
Com tanta eficiência e a bola sempre perto da nossa área, eles conseguiram o merecido gol em cruzamento da esquerda. Porém, logo na sequência, Canobbio foi derrubado na entrada da área. Hulk fez bela cobrança, Santos vacilou por um milésimo de segundo e, quando foi na bola, o máximo que conseguir fazer foi tocá-la de leve, mas sem cortar sua trajetória rumo ao barbante rubro-negro.
Dali em diante, faltando cerca de sete ou oito minutos para o final da primeira etapa, a pressão do Athletico acabou e o Fluminense foi até melhor no jogo, quadro que voltou a mudar no início da segunda etapa. O Fluminense voltou com a guarda baixa e o Athletico já entrou pressionando. Dessa vez, o gol veio com quatro ou cinco minutos de pressão e tudo indicava que o terceiro gol deles era o mais provável desdobramento, já que o Fluminense não conseguia se organizar em campo e perdia o duelo do meio de campo constrangedoramente.
Então, Marcão decidiu fazer duas trocas. Tirou Ganso, que já não contribuía para a intensidade ou fluidez do jogo, e Soteldo, que estava apagado desde meados do primeiro tempo, para colocar Lucho Acosta e Kevin Serna.
É difícil dizer se o time melhorou por causa das trocas, propriamente, ou em virtude de um certo cansaço do Athletico, que começou a baixar a guarda, permitindo que trocássemos passes exatamente do jeito que nosso time gosta. E o Fluminense, que tomou o jogo de assalto e dominou a intermediária completamente, jogando o Furacão nas cordas, também não demorou a chegar ao gol de empate após bela trama ofensiva, que teve como desfecho um arremate quase despretensioso de Canobbio, que Santos aceitou de maneira ridícula. Aquele famoso frango com coreografia. Só faltou a bola bater as asas e soltar p***s.
E o Fluminense continuou melhor, até que Hulk cobrou uma falta da intermediária. Jogada nitidamente ensaiada e muito bem executada. O cruzamento fez uma diagonal buscando Ignácio, que era o último homem. A bola foi lançada no ponto futuro, o que fez com que o marcador tivesse que correr para trás. Acabou se desequilibrando e perdendo contato com a jogada. Ignácio deve ter se assustado ao perceber que estava quase na pequena área, cara a cara com Santos, sem sofrer qualquer marcação, podendo escolher como e para onde cabecear, enquanto todo o estádio, inclusive os outros 21 jogadores, assistiam à extravagante cena, como não acreditando que tal lance fosse real e, caso fosse, que o impedimento inexistente não fosse marcado.
Era o gol de virada e com alto potencial de ser o da vitória, já que faltavam dez minutos para o final. E o melhor é que o Fluminense teve pelo menos duas oportunidades de liquidar o jogo, mas o pior é que os jogadores tomaram decisões erradas. Numa delas, Hulk preferiu chutar nas mãos do goleiro a dar assistência simples, fácil e mortal para Acosta. Santos ligou rapidamente o contragolpe e o desfecho acabou sendo o gol de empate, só que invalidado por impedimento.
Marcão fez trocas depois disso, deixando o time cheio de defensores, mas só conseguiu devolver o domínio da intermediária para o Athletico, que chegou ao empate no final.
Dois pontos tragicamente perdidos, dois pontos interessantes a sublinhar.
Pela primeira vez, assisti a um jogo de Hulk como titular do Fluminense sem aquela convicção irritante de que ele não deveria estar ali.
O outro ponto é que alguém precisa ensinar Lucho Acosta a tocar o raio da bola de primeira quando tem um companheiro livre. Ligou contragolpe do Athletico em um desses lances.
O problema não é tentar verticalizar o jogo, fazer uma jogada mais aguda, e errar. Conca, o Pequeno Gênio, era o jogador que mais errava passes no Fluminense quando brilhou com nossa camisa e foi escolhido o craque do Brasileiro de 2010.
Esse não é o problema, mas prender a bola desnecessariamente, jogando de costas para a marcação, é pedir para ser desarmado. O que é bem pior quando, como em um desses lances, tinha duas opções de passe para jogadores que teriam espaço para progredir e criar constrangimentos para a defesa paranaense.
De resto, vamos continuar enxugando gelo no Brasileiro e tentando o título da Libertadores, que é o que nos sobrou.
Saudações Tricolores!