17/09/2026
Tenho observado algo nos comentários dos meus conteúdos que merece a nossa atenção.
Muitos homens relatam que estão sofrendo emocionalmente, mas não conseguem ou não têm coragem de buscar ajuda.
E, quando você olha para a história da masculinidade, isso não acontece por acaso.
Durante gerações, muitos homens aprenderam frases como:
“Homem não chora.” “Homem tem que resolver.” “Não demonstre fraqueza.” “Problemas você resolve sozinho.” “Depressão é frescura.” “Isso não é coisa de homem.”
O resultado?
Homens que aprenderam a suportar muita coisa em silêncio.
Homens que conseguem sustentar uma família, administrar uma empresa, resolver problemas, cuidar de todo mundo… mas não sabem o que fazer quando a própria dor bate à porta.
Só que existe um outro movimento acontecendo.
Uma parcela dos homens mais jovens parece estar crescendo com dificuldades diferentes: menor tolerância à frustração, dificuldade em lidar com críticas, necessidade constante de validação e, em alguns casos, uma dependência cada vez maior de outras pessoas, das redes sociais ou até da inteligência artificial para tomar decisões que antes exigiam autonomia.
E aqui é importante fazer uma distinção: isso não significa que essa geração sofra menos. Nem que a geração anterior fosse emocionalmente mais saudável.
São problemas diferentes.
De um lado, temos homens que aprenderam a engolir tudo até chegar perto do colapso.
Do outro, homens que podem estar aprendendo a sentir intensamente, mas nem sempre estão aprendendo a regular o que sentem, tolerar desconfortos e assumir responsabilidade pelas próprias escolhas.
E talvez o problema esteja justamente nos dois extremos.
Não precisamos voltar ao homem que não sente.
Mas também não precisamos formar homens que são governados por tudo aquilo que sentem.
Vulnerabilidade não é fraqueza.
Mas vulnerabilidade sem autorregulação pode se transformar em dependência, impulsividade e dificuldade de agir.
Força emocional não é ausência de sofrimento.
É conseguir reconhecer o que está acontecendo dentro de você, pedir ajuda quando necessário, tolerar aquilo que não pode ser mudado e, ainda assim, escolher como vai responder.