Ciclismo Paidégua
Valoriza o ciclismo e os ciclistas do passado heróis do ciclismo paraense. Esta página quer, resgatar a memória a História do ciclismo no Estado do pará.
Minha motivação, e a satisfação, de milhões de apaixonados por ciclismo no mundo.
30/08/2026
O ciclismo Paidégua volta no tempo e na história do ciclismo do Estado do Rio Grande do Norte os dois ciclistas do C.C.N Clube de Ciclismo de Natal Roberto Iglesias e José Henrique estão prontos pra participar da 9° edição da Tradicional prova ciclistica internacional 9 de Julho em São Paulo serão os primeiros ciclistas Natalenses a participar da 9 de Julho anos 70. ( Fonte Roberto Iglesias)
30/08/2026
30/08/2026
MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO
1987. 1° Volta do Brasil. Primeira parte.
Esta matéria se dividirá em três partes e será relatada pelos próprios heróis que participaram da Volta.
Agradecemos desde já ao Renato Ferraro, Gabriel Sabbião, Fernando Louro, Erivan de Lima, Gilson Rangel, José Luis Unger, Antônio carlos Unger e Nelo Breda por participarem desse difícil trabalho de resgatar nossa memória.
Esperamos que curtam e participem comentando dessa memória que pouquíssimas pessoas conhecem na página do MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO.
Etapas da Volta
O ciclismo brasileiro vivia uma fase de importantes vitórias internacionais na América do Sul, América Central e até mesmo nos EUA.
Aproveitando o bom momento vivido por uma geração vitoriosa, a CBC, Confederação Brasileira de Ciclismo, cria a primeira Volta do Brasil. A Volta foi muito bem organizada pelo atuante Nelo Breda, ex-técnico da Caloi, assessorado por Fernando Nabuco e Waldemar dos Santos, ambos integrantes da CBC.
A Volta do Brasil durou duas semanas e aconteceu no mês de maio de 87.
A competição foi dividida em um Prólogo e 12 etapas, sendo que a 3, 4° e 5° etapas foram divididas em duas provas - uma prova na parte da manhã e outra prova na parte da tarde e à noite - com isso, a Volta somou um total de 15 etapas e quase 1.500km percorrendo os estados da região sudeste do Brasil.
A primeira Volta do Brasil foi considerada uma prova completa, pois conseguiu reunir etapas planas, mistas, muitas montanhas e contra relógios individuais e por equipes, fazendo com que as táticas das equipes fossem primordiais para que seus líderes pudessem travar disputas por segundos valiosos a cada dia.
As disposições das etapas e o relevo fizeram com que as equipes fossem montadas utilizando bons passistas e bons escaladores. Havia camisa de líder de montanha, por pontos, novatos e a de líder no geral e todas as camisas foram muito disputadas por brasileiros e estrangeiros.
As equipes brasileiras chegaram fortíssimas para participar da Volta, pois muitos ciclistas vinham de uma sequência de provas de alto nível na América e na Europa.
A competição começou no estado de São Paulo, seguiu para o Rio de janeiro, Minas Gerais retornando ao estado de São Paulo. A prova contou com ciclistas da França, Itália, EUA, México, Chile, Uruguai, Argentina e Cuba, além das equipes brasileiras Caloi A, Caloi B, Pirelli A, Pirelli B, Ultracred, Piracicaba, Lençois Paulista, a paranaense Reflipar e equipes de outros estados.
O Prólogo foi um curto contra relógio por equipes de 3,5km em uma quarta feira à noite em plena Avenida Tiradentes na capital paulista. A primeira etapa fez o pelotão sair da capital e descer a serra até o Guarujá em uma rápida etapa de 85km. Na sexta feira, a segunda etapa iniciou no Guarujá e foi até Caraguatatuba, onde já foi disputado o primeiro prêmio de montanha em um total de 151km.
“O fim de semana foi um verdadeiro inferno”, concordam todos os participantes entrevistados nesta matéria, pois foram percorridos 390km entre as cidades de Caraguatatuba e Rio de Janeiro divididos em 4 provas durante apenas dois dias.
Este fim de semana teve início às 8h da manhã de sábado com a largada de um segundo contra relógio por equipes, porém, desta vez, com 50km entre as cidades de Caraguatatuba e Ubatuda. Após o término da prova, o pelotão teve de almoçar e viajar até a cidade de Parati, já no estado do Rio de Janeiro, onde teve uma segunda largada às 14h que levaria o pelotão até a cidade de Angra dos Reis, percorrendo mais 96km de um trecho muito duro. Neste dia, os ciclistas ficaram se dedicando a prova durante 10h seguidas e só conseguiram descansar após o fim da segunda prova às 17h.
Logo ás 6h da manhã de domingo houve a largada da, duríssima, quarta etapa que foi a subida da serra do Mar entre Angra dos Reis e Volta Redonda somando mais 110km além do segundo prêmio de montanha. Logo após o almoço, às 14h, tivemos a nova largada para um trecho de 136km que levou o pelotão pela Rodovia Presidente Dutra até o aterro do Flamengo na capital fluminense. A chegada desta etapa de domingo aconteceu as 8h da noite e somou 19h sem descanso.
No dia seguinte, uma segunda feira, logo ás 9h da manhã, tivemos uma crono-escalada subindo o Corcovado com mais um prêmio de montanha no seu cume e, às 8h da noite um grande circuito foi disputado na praia de Ipanema.
Após três dias seguidos correndo duas vezes por dia houve um dia de descanso entre as 7° e 8° etapas.
“Foi uma terça feira em que mal conseguimos levantar da cama” disse Gabriel Sabbião, atleta da Pirelli A.
Na 8° etapa, o pelotão saiu da capital fluminense e percorreu a Rodovia 040 até a cidade de Juiz de Fora no estado de Minas Gerais, somando quase 200km e o quarto prêmio de montanha no alto da serra de Petrópolis.
Em Juiz de Fora, a 9° etapa também foi dividida em duas provas. Na quinta feira às 8h da manhã aconteceu um contra relógio individual de 35km, e às 8h da noite uma prova de circuito foi disputada na Avenida Rio Branco no centro da bela cidade Juiz de Fora.
Na sexta feira, o pelotão sai de Juiz de Fora e chega na cidade de São Lourenço, percorrendo mais 150km. Achegada dessa etapa aconteceu e um difícil trecho de paralelepípedos, onde recentemente o Grampèr Circuito das Águas reproduziu a mesmo desafio. No sábado, na 11° etapa a caravana sai de são Lourenço e percorre mais 140km e disputa seu último prêmio de montanha no alto da serra de Campos do Jordão no estado de são Paulo.
Por fim, no último dia, os sobreviventes deixam Campos do Jordão na 12° etapa e retornam para capital paulista. A chegada da Volta do Brasil aconteceu na USP com mais 200km somados.
A “MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO” contará na próxima semana como foi etapa por etapa da Volta do Brasil.
Relatada pelos próprios heróis que participaram da prova.
Viva ao ciclismo nacional e viva ao nossos heróis do passado.
Fernando Blanco, George Panara, Gabriel Sabbião, Renato Ferraro, Rafael Zimmermann, Leandro Bittar, Renan Ferraro, Cassio De Paiva Freitas, Tonny Magalhães, Rodrigo Evangelho, Rony Peterson, Antonio Carlos Silvestre, Erivan Ribeiro, Marco Vasconcellos, J Renato Ponte
30/08/2026
MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO
1987. 1° Volta do Brasil. Segunda parte.
Bastidores e histórias contadas de dentro das estradas.
Agradecemos aos competidores que participaram da Volta listados abaixo que ajudaram nesse difícil trabalho de pesquisa, resgatando assim as memórias da 1° Volta do Brasil.
Lino Aquea do chile(vice campeão), Gabriel Sabbião (campeão) e Renato Ferraro, ambos da equipe A da Pirelli, Fernando Louro e Antônio Carlos Hunger, ambos da equipe B da Caloi, Erivan de Lima da equipe B da Pirelli, Gilson Rangel da equipe A da Caloi e José Luis Hunger da equipe paranaense Reflipar Sta Felicidade, e também a Waldemar dos Santos, Nelo Breda e Fernando Nabuco responsáveis pela organização da maior volta ciclística que o Brasil já teve.
Esperamos que curtam e participem comentando essa memória que pouquíssimas pessoas conhecem na página do MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO.
Como dito na primeira parte das Memórias da Volta do Brasil, o ciclismo brasileiro vivia uma fase de importantes vitórias fora do país. Algumas equipes brasileiras chegaram de provas internacionais para correr a Volta como a fortíssima Caloi, que voltou ao Brasil como favorita, pois acabara de ser campeã da Ruta das Américas, uma prova de 10 dias no Uruguai onde Marcos Mazaron foi o campeão.
Além da Caloi, Cássio de Paiva Freitas acabara de ser campeão da Cruz de Los Andes, uma prova de quatro dias de alta montanha que largava na Argentina, cruzava a Cordilheira dos Andes e finalizava no Chile. Cássio era atleta da também favorita Pirelli.
PRÓLOGO da Volta.
Com uma distância de 3.5km, o prólogo abriu a Volta em uma terça feira à noite em plena Avenida Tiradentes no centro da cidade de São Paulo. A TV Bandeirantes fazia a cobertura diária da prova criando até um programa de TV dentro do jornal esportivo da emissora. A cobertura da mídia foi uma vitória para os organizadores da Volta do Brasil.
Os favoritos para vencer o prólogo eram os italianos, argentinos, americanos, franceses e cubanos, além dos brasileiros, Marcos Mazaron e Wanderlei Magalhães da Caloi A, Fernando Louro e Antônio Hunger da caloi B, os irmãos Renan Ferraro, que acabara de chegar da Belgica, onde correu pela Bottecchia por 2 anos, e o forte Renato Ferraro, ambos da Pirelli A.
“Com, apenas, 3,5km, o prólogo foi uma prova de “um tiro” onde nós sequer levamos água para não pesar a bicicleta”.
“Mas também não dava nem tempo de respirar”, “a gente trincava os dentes para que o coração não pulasse pela boca a fora”. “Era força máxima do início ao fim”. Disse Gabriel Sabbião da equipe A da Pirelli.
O vencedor do Prólogo foi o americano Todd Gogulski. Todd foi o terceiro colocado na Volta do Brasil e chegou no país como campeão da Mount Evans, uma dura prova de montanha no Colorado.
No mesmo ano de 87, Todd foi 4° colocado na prova de estrada nos jogos pan-americanos de Indianápolis e foi contratado pela Bottecchia para correr na Belgica.
No dia seguinte, a primeira etapa foi curta e rápida. A largada foi na capital paulista e chegada na cidade do Guarujá somando apenas 90km. Esta etapa teve como principal característica a perigosa descida da serra na Rodovia Anchieta.
Logo no km15 houve o primeiro ataque de inúmeros ataques da favorita Caloi durante a Volta. Fernando Louro saiu forte mas foi seguido por Renan Ferraro da Pirelli, um ciclista de Piracicaba e mais alguns atletas.
“Ataquei para sentir como estava a disposição do pelotão”, disse Louro. “Nós da Caloi estávamos fortes”.
Louro liderou a escapada até o início da descida da serra, onde Renan Ferraro tomou a ponta.
“Existiam manchas de óleo nas curvas da serra devido ao transito de carretas no local, porém Renan estava há 2 anos na Europa e sua técnica de descida deveria estar apurada”. “Foi o que pensei”. Disse Fernando Louro. “Portanto me posicionei grudado na roda do Renan”. “Caso ele fizesse a curva, eu também faria”. “Caso ele voasse para o precipício, eu também voaria”, “além de ser uma boa oportunidade para testar a segurança da tecnologia do pedal LOOK, recém chegada no Brasil”, “descíamos a pouco menos de 100km/h e foi uma descida bem rápida e “divertida” de fazer”. Completou Louro.
No fim da serra os escapados foram alcançados por um grupo perseguidor liderado pelo francês Dominique Arnaud. O grupo permaneceu revezando forte durante toda baixada, “passamos por Santos e Cubatão a toda velocidade para o pelotão não nos alcançar”, Continua Louro.
Porém, no início da última subida antes da cidade do Guarujá o francês atacou com muita força.
“Nós chamávamos na época este tipo de ataque de “arrancando Borracha do pneu”, uma forma de reconhecer que não tem como mais alcançar o ataque”.
Contudo, o grupo conseguiu alcança-lo no final da subida e, Fernando Louro, ataca novamente, levando em sua roda o argentino Moyano e o líder da Volta, o americano Todd Gogulski.
“Nós três revezamos muito forte para abrir do grupo e conseguimos entrar na cidade do Guarujá sozinhos”. “Dentro da cidade, quando faltavam 2km, eu comecei a estudar a “puxada das pernas” dos gringos”, “e assim que o argentino Moyano saiu da ponta para que o americano Gogulski fosse para frente ataquei com todas as forças”.
“Dei uma rápida olhada para trás, vi que um estava esperando que o outro tomasse atitude de contra-atacar em minha perseguição”. “Foi quando retornei a olhar para frente e só pensei em voar o mais forte possível nos últimos 2km até a chegada”.
“Os carros de televisão da Bandeirantes, da Rede Globo e TV Cultura estavam em comboio comigo”, “foi um momento muito importante da minha carreira”, “pois o ano anterior não tinha sido um bom ano para mim”, continua Fernando Louro.
“Porém, o ano de 87 foi muito bom”, “eu obtive uma boa colocação na Ruta das Américas, venci a primeira etapa de uma grande volta dentro do Brasil”.
Realmente a Caloi chegou mostrando sua força na Volta.
Contudo, Fernando Louro obteve muitas conquistas após a Volta do Brasil em 87, pois também integrou a seleção brasileira nos Jogos Pan americanos em Indianápolis onde conquistou a medalha de bronze prova de perseguição por equipes juntamente com Antônio Carlos Silvestre, Antônio Carlos Hunger e Paulo Jamur, além de ser 4° colocado na prova de meio fundo, ambas provas no velódromo de Indianápolis (essas provas também serão resgatadas para que nunca esqueçamos das grandes conquistas desta geração vitoriosa que o Brasil um dia teve)
Classificação após a 1° etapa da Volta do Brasil.
1° Fernando Louro – Caloi B
2° Luis Moyano – Argentina
3°todd Gogulski – EUA
4° Fábio Perega – Itália
5° Jesus Nunes – Cuba
Próxima semana no MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO teremos a continuação da 1° Volta do Brasil de ciclismo.
Gabriel Sabbião, Fernando Blanco, Leandro Bittar, Waldemar Dos Santos, Waldemar Dos Santos, Antonio Carlos Hunger Hunger, Antonio Carlos Silvestre, George Panara, Alvaro Ferreira, Renato Estrella, Rodrigo Evangelho,
30/08/2026
MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO
1987 - 1° Volta do Brasil.3° parte.
História narrada pelos próprios corredores que participaram da Volta.
Agradecemos aos ciclistas Fernando Louro da Caloi B, Lino Aquea Guerrero do Chile, Erivan de Lima da Pirelli B, Gabriel Sabbião da Pirelli A e aos organizadores da maior prova de ciclismo que o Brasil já teve: Waldemar Dos Santos e Nelo Breda.
Segunda etapa.
Guarujá/Caraguatatuba, 167km, com o primeiro prêmio de montanha no alto da serra de Boiçucanga em Maresias.
A prova.
Como vimos na 2° parte, Fernando Louro da Caloi conquistou a camisa de líder tirando-a do americano Todd Gogulski, porém Louro sabia que seria quase impossível mantê-la, pois a dura subida de Boiçucanga faria os grandes escaladores mostrarem suas forças.
Fernando Louro comentou que pesava entorno de 79kg nos seus quase 1.90 metros. "Eu tinha muita força bruta, porém era pesado para subir junto com aqueles "magrelos".
Fernando pediu ao mecânico da Caloi para alterar sua transmissão de marchas traseira.
"Nós usávamos 42x21 para subidas íngremes. Porém nosso técnico, um uruguaio meio grosso ( risos), brigou comigo dizendo que se Marcos Mazaron, atleta da Caloi, subia Maresias de 42x19, eu poderia subir de 42x21" - concluiu nosso campeão.
"Dito e feito".Tive que fazer cobrinhas na subida daquele inferno" ( mais risos), "vocês imaginam o camisa amarela fazendo cobrinhas?"(risos e mais risos).
Fernando Louro perdeu a liderança da prova por 11 minutos e deu adeus a briga na geral, porém ele sabia que estava na Volta para ganhar etapas e trabalhar para seus companheiros de Caloi, "pois eu não era escalador", completou Louro.
Já Lino Aquea Guerrero da equipe chilena disse que os chinelos estavam preocupados com os aclives acentuados da Rio/Santos, mas principalmente com a serra de Boiçucanga.
"Nós, chilenos, queríamos nos defender e passar entre as primeiras posições nas 4 primeiras etapas, para aí sim, atacar nos terrenos mais parecidos com os que temos no Chile", completou Lino Aquea Guerrero.
" Lembro de ver um uruguaio sair em fuga antes da serra, porém passamos por ele empurrando sua bicicleta. Foi realmente muito duro", completa Lino.
Naquela quinta feira, a Caloi era a líder da Volta e seus companheiros sabiam que Louro teria muitas dificuldades para passar Boiçucanga entra os líderes, portanto deveria agir com uma tática perfeita, porém muito arriscada. pois queriam continuar com a liderança da competição.
Logo no início da etapa Gilson Alvaristo ficou encarregado de levar Wanderley Magalhães em uma fuga longa e dolorosa. A intenção era chegar na serra muito a frente dos escaladores para que conseguissem subi-la com folga antes de serem alcançados pelo pelotão, porém foram seguidos por Cassio De Paiva Freitas da Pirelli, o americano Todd Gogulski, o francês Dominique Arnoud, um mexicano e um uruguaio.
Gabriel Sabbião da Pirelli sabia que se os dois atletas da Caloi e o americano conseguissem passar a serra junto do seu companheiro de Pirelli, certamente iriam bate-lo na chegada em Caraguatatuba, então em uma atitude ousada, Gabriel Sabbião arrancou para se desgarrar do pelotão e alcançar seu companheiro, porém foi seguido por Marcos Mazaron da Caloi e um italiano. Os três perseguidores conseguiram abrir do pelotão no início da subida da temida serra de Boiçucanga.
"Puxamos muito forte para conseguir uma boa distância do pelotão", disse Sabbião. "Sabíamos que Cássio e seu grupo estariam logo a nossa frente.
"Os gringos sabiam que a Caloi e a Pirelli eram as equipes mais fortes do Brasil", portanto sabíamos que eles estavam vindo a nossa caça".
" Os gringos são maus", " eles não aliviam ninguém", " o que puder fazer para maltratar a gente eles maltratam sem pena", "dentro da estrada não pode ser bonzinho com ninguém não", completa Sabbião.
"Coloquei um um ritmo muito forte", sabe aqueles ritmos que a gente torce os olhos e a cabeça entorta para os lados"?
" Fiz isso porque sabia que o italiano não conhecia a subida", "logo depois o italiano baixou a cabeça e arriou as pernas", comemora Gabriel Sabbião.
"Quando vejo alguém sofrendo no meu lado parece que me alimenta de força", "eu via Maza (Marcos Mazaron), sofrendo, mas o "bicho" é bruto, não largava da minha roda".
Marco Mazaron, atleta da Caloi, não poderia revezar com Gabriel Sabbião, pois não seria bom para Caloi que Sabbião alcançasse Gilson Alvaristo e Wanderley Magalhães.
"Continuamos a subir "socando o pau", "e ele olhava pra mim parecendo me desafiar a ir ainda mais forte", comenta Sabbião rindo, mas em tom de indignação.
"Nunca gostei de ser desafiado, eu é que desafiava os outros", continua Sabbião.
A descida da serra tinha curvas fechadas o que causou a queda do ciclista José Oliveira da equipe de São Paulo, José fraturou a clavícula causando a primeira baixa do Volta.
Faltando entorno de 25km para a chegada Sabbião e Mazaron alcançam o grupo da frente.
Todos no grupo estavam muito cansados, pois mantiveram uma fuga muito longa e com o passar do tempo o grupo foi perdendo ciclistas e ficando cada vez menor.
Faltando 5km Todd Gogulski e o mexicano ficam para trás e Sabbião força ainda mais o ritmo,logo depois foi a vez de Wanderley Magalhães e Dominique Arnoud ficarem para trâs.
“Agora era eu, Cássio e Mazaron”, “dois da Pirelli e um da Caloi” para decidir no último quilômetro”
"Eu sabia que ele poderia me bater na chegada em Caraguatatuba", eu conheço aquele "bicho brabo" da Caloi, juro que fiz de tudo para ele sobrar durante a prova”.
Cássio atacou mas Mazaron o alcançou emendando o ataque pelas costas de Cássio.
“Eu fui atrás de Mazaron, mas estava exausto, “ não fui páreo para bater a chegada”.
"Ciclismo é um jogo de xadrez”, “só que a nossa força vai ao limite sabe"?
"Meu jogo era fazer ele sobrar e o jogo dele era tentar não sobrar", a nossa dor foi a mesma, mas ele foi mais esperto em saber usar a dor que levava nas pernas".
"Fiquei chateado com a segunda posição, mas minha consciência sabia que eu fiz tudo que poderia fazer".
Cássio chega em 3° a 20 segundos.
Wanderley Magalhães, Dominique Arnoud e Todd Gogulski chegam um minuto depois, o suficiente para Gogulski retomar a camisa amarela.
Marco Mazarom fez um belo jogo de equipe e ratificou a força da Caloi na Volta do Brasil conquistando a segunda vitória para Caloi.
Classificação geral na 2° etapa.
1° Toddy Gogulski EUA
2° Jesus Nunes CUBA
3° Marcos Mazaron Caloi A
4° Gabriel Sabbião Pirelli A
5° Dominique Arnoud França
Foto; O líder Fernando Louro fazendo força na subida da serra de Boiçucanga com sua bicicleta de 11kg e relação 42X21. Logo atrás uruguaios, um italiano e Ipojuca.
Nota-se que o helicóptero também parece estar fazendo força para subir a temida srra de Boiçucanga.
Próxima semana, na 3°etapa, veremos os relatos das emoções vividas por quem está dentro da estrada.
Curtam e comentem.
Até lá na MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO.
30/08/2026
MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO.
Volta do Brasil 1987.
Matéria de jornal da primeira etapa entre São Paulo e Guarujá.
Fernando Louro da Caloi B cruza a meta escapado sobre o argentino Moyano e o americano Todd Gogulski. Foram 87km com média mais de 47km/h.
Matéria completa com relatos de Fernando Louro e Gabriel Sabbião na página MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO no Facebook.
Em breve as emoções da 4° etapa da Volta do Brasil.
Fernando Louro, Gabriel Sabbião, Waldemar Dos Santos, Alessandro Giannini, Antonio Carlos Hunger Hunger, Antonio Carlos Silvestre, Cesar Vianna Mendonça, Alvaro Ferreira, Leandro Bittar.
30/08/2026
MEMÓRIAS DO CICLISMO BRASILEIRO.
Volta do Brasil, 1987.
7° parte. Volta Redonda/Rio de Janeiro, 130km.
Agradeço as participações dos atletas da equipe Pirelli Cássio de Paiva Freitas, Renato Ferraro e Gabriel Sabbião.
Fernando Louro da Caloi e Carlos Schutz Garcia da equipe de apoio da Pirelli por auxiliarem no trabalho de pesquisa.
COMO FOI O DIA DA PROVA:
A 7° etapa, como a etapa do dia anterior, também tivera duas provas, uma na parte da manhã entre Angra dos Reis e Volta Redonda e outra prova à tarde entre Volta Redonda e Aterro do Flamengo na capital Fluminense.
O líder da Volta, um dos favoritos, o americano Todd Gogulshk perdeu a camisa amarela para o atleta da Pirelli, Gabriel Sabbião.
O pelotão encontrava-se cansado após os 120km de escalada na serra do Mar e, como no dia anterior, também tivera pouco tempo para o almoço antes da segunda largada as 15h na rodovia Presidente Dutra.
Contudo, a organização da Volta teve problemas com a PRF e teve de retirar o trecho da descida da serra das Araras do trajeto.
Com isso, o novo local de largada aconteceu no início da baixada Fluminense às 16:30h, além de reduzir a quilometragem de 130km para 110km.
"Isso atrapalha nossa concentração, além de ficarmos mais cansados do que já estávamos" comenta Sabbião, o novo líder da Volta.
"Durante a passagem da Volta pelo estado do Rio, tivemos muitos problemas" comenta Carlos Schutz Garcia da equipe de apoio da Pirelli.
" No momento da largada o céu estava escuro, parecia que iria desabar um temporal sobre nossas cabeças", comenta Renato Ferraro.
A PROVA:
Assim que foi dada a largada, grupos grandes tentavam quebrar o pelotão para prejudicar o trabalho da equipe da Pirelli.
Porém, Sabbião e Cássio coordenaram o trabalho conjunto entre as equipes Pirelli A e Pirelli B para que ambas conseguissem anular o pelotão avido a trucidar a equipe do ABC.
"Durante aquela interminável reta da baixada Fluminense desabou o temporal que se esperava", "não dava para ver nem a bicicleta da frente", comenta Cássio.
"Não tinhamos ideia de quantos grupos estavam quebrados na nossa frente", comenta Sabbião.
"Pela manhã ficamos cegos no ma***to túnel e a tarde cegos pelo temporal", que dia fdp....comenta Cássio.
"Quando entramos na Av. Brasil, já dentro da cidade do Rio, o temporal tinha diminuído e todas as fugas tinham sido anuladas" disse Renato.
"Estávamos quebrados", "éramos quatro atletas da Pirelli B e dois da Pirelli A contra todo pelotão", "conseguimos resguardar Cássio, nosso líder de montanha, e Sabbião, nosso camisa amarela", completa Renato Ferraro.
"Quando saímos da Av. Brasil o temporal começou novamente e já estávamos no escuro da noite", 'eta" dia difícil", comenta Sabbião.
"Falei com Cássio para tomarmos a ponta da prova já que os garotos estavam exaustos" disse Sabbião.
"Com certeza o trabalho das duas Pirellis salvaram a minha camisa" comenta Sabbião.
Aproveitando o temporal, um grupo com quatro gringos saiu em uma nova fuga e, logo após, outro grupo de quatro também se destacou do pelotão.
"Disse para o Cássio que os dois grupos estavam bem atrás no tempo e não oferecia perigo" disse Sabbião.
"Eu e Jair Braga da Caloi, Gilson Auvaristo de XV de Piracicaba e um italiano saimos para pegar os quatro gringos desgarrados" comenta Fernando Louro da Caloi.
"Estava de noite e andamos muito forte para alcança-los" continua Louro.
"Alcançamos o grupo dos gringos já no retão do aterro do Flamengo", "tomei a ponta e embalei forte para Gilson bater a chegada, mas os caras eram muito experientes e vieram por trás e passaram nossa frente" comenta Louro.
A vitória ficou com o italiano Massimo Brunelli, em segundo o cubano Israel Torres Rodrigues e em terceiro, Jair Braga de XV de Piracicaba.
A chegada aconteceu as 8h da noite.
"Estávamos sentados sobre a bicicleta desde 6h da manhã', foi desumano aquele domingo" conclui Fernando Louro.
"Ao todo, foram 14 horas de prova, realmente foi um dia muito cansativo", conclui Fernando.
A camisa de líder continuou com Sabbião.
Na próxima semana a crono escalada do Cristo Redentor e o circuito noturno na praia de Ipanema.
Foto: a Pirelli defendendo a liderança de Gabriel Sabbião a noite sob o temporal no Rio de Janeiro.
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30/08/2026
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