10/07/2026
DOU-LHES DEZ VAGAS... ÁFRICA DEVOLVEU DEZ LIÇÕES AO MUNDO
CRÓNICA:
O Mundial de 2026 f**ará para sempre marcado como a edição em que África teve a maior oportunidade da sua história. Pela primeira vez, o continente contou com 10 seleções entre as 48 participantes, um crescimento que gerou elogios, mas também muitas críticas.
Antes mesmo de a bola rolar, várias vozes do futebol europeu questionaram a decisão da FIFA de aumentar o número de representantes africanos. Entre elas, a do selecionador da Itália, Gennaro Gattuso, que criticou publicamente o alargamento das vagas, defendendo que o aumento retiraria competitividade ao torneio.
A resposta de África não veio em conferências de imprensa. Veio dentro das quatro linhas.
A República Democrática do Congo foi a última seleção africana a garantir presença na fase final, ao vencer a Jamaica por 1-0, confirmando a décima vaga do continente e devolvendo os Leopardos ao maior palco do futebol mundial 52 anos depois.
O arranque, contudo, foi doloroso. No jogo de abertura, a África do Sul voltou a carregar o peso de abrir um Mundial, tal como em 2010, mas desta vez caiu diante do México, por 2-0, deixando o continente em lágrimas.
Pouco depois, a esperança voltou a crescer. Costa do Marfim e Gana venceram os respetivos encontros, enquanto Marrocos, República Democrática do Congo e Cabo Verde conseguiram travar seleções europeias, mostrando que África já não entra nos Mundiais apenas para participar.
Nem tudo, porém, correu como esperado. Senegal, Tunísia e Argélia atravessaram momentos difíceis, deixando o continente dividido entre a euforia e a frustração.
Na segunda jornada, Marrocos e Argélia voltaram a vencer, Cabo Verde, Gana e África do Sul somaram empates, enquanto RD Congo, Senegal, Tunísia e Costa do Marfim conheceram a derrota.
No final da fase de grupos, apenas a Tunísia ficou pelo caminho. A seleção tunisina protagonizou a campanha mais dececionante entre os representantes africanos, encerrando a participação sem qualquer ponto conquistado, com três derrotas, dois treinadores e um saldo defensivo que ficou muito aquém das expectativas.
Chegados à fase a eliminar, África continuava viva através de Marrocos, Egito e República Democrática do Congo.
Mas foi também aí que surgiram as feridas mais profundas.
O Senegal protagonizou uma das maiores desilusões do torneio. Vencia a Bélgica por 2-0, mas sofreu uma reviravolta dramática e perdeu por 3-2.
Desde então, o minuto 85 passou a simbolizar um dos momentos mais dolorosos para o futebol africano nesta edição.
O Egito também viu escapar uma vantagem de dois golos diante da Argentina, acabando eliminado por 3-2, enquanto a República Democrática do Congo sofreu um destino semelhante, deixando escapar uma qualif**ação histórica.
A última esperança chamava-se Marrocos.
Depois de eliminar o Canadá e alcançar os quartos de final, os Leões do Atlas reencontraram a França, adversária que já lhes tinha negado uma final histórica no Mundial do Qatar 2022.
Desta vez, a história repetiu-se.
A seleção francesa venceu por 2-0, com golos de Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé, encerrando a caminhada do último representante africano e apagando a última chama do continente na competição.
Mas reduzir o Mundial africano à eliminação seria profundamente injusto.
Porque houve uma seleção que conquistou o respeito do planeta.
Cabo Verde.
Na sua estreia absoluta em Campeonatos do Mundo, os Tubarões Azuis escreveram uma das páginas mais bonitas da história do futebol africano. Terminaram a fase de grupos invictos, empataram com a Espanha (0-0), travaram o Uruguai (2-2) e venceram a Arábia Saudita, garantindo o segundo lugar do grupo, apenas atrás da seleção espanhola.
Foi uma campanha que mostrou que, no futebol moderno, o nome pesa cada vez menos quando existe organização, talento e coragem.
No fim, África não conquistou o troféu.
Mas conquistou algo igualmente importante: respeito.
Mostrou que merece as vagas que lhe foram atribuídas. Mostrou que já não entra em campo para ser figurante. Mostrou que consegue competir de igual para igual com qualquer potência do futebol mundial.
Agora, o olhar vira-se para 2030.
O Campeonato do Mundo regressará ao continente africano, depois de 20 anos, com Marrocos como um dos países anfitriões. Será uma nova oportunidade para transformar o sonho em realidade e provar que o futebol africano continua a crescer.
E f**a uma pergunta inevitável para nós, angolanos: Angola... vens escrever a tua história ou vais voltar a vê-la pela televisão?
Narrador: Eu sou o Mauro Paixão, o Irmão+Velho do Mbappé.
Fim da viagem. O Mundial termina, mas o sonho africano continua...
Terminei...